Sobre portas
I stare at a wall. Uma parede intransponível e mais sólida e real que qualquer outra coisa ao meu redor. Do outro lado, lies uma sobriedade realista mais potente do que minha mente possivelmente conseguiria aguentar. Duas portas de vidro fosco me mostram o outro lado: alcohol and tobacco. As outras portas estão abertas e escancaradas, mas não pretendo encarar os seguranças.
Rien à faire, me contento com o meu lado da barreira. Este lugar deveras vazio posicionado na média exata entre a existência e o sonho. Então noto que minha prisão tem o seu domínio limitado por outro lado também. Se aquela parede me afastava da is-ness do mundo, esta outra me separa da would-ness. O que atrai a atenção é o fato da existência de uma única porta e, ainda mais incrível, de milhares de janelas, de vidros límpidos como o mais límpido dos olhos d'água. Tiro um tempo para me distrair e olhar através dos regularmente distribuídos eye-holes ao longo do grande muro. Através deste, vejo tudo o que sempre quis ver. Maravilhado, não posso desviar os olhos, a visão me tira a atenção de tudo. Inclusive do antigo muro com as suas censuradas portas. Não demora muito para que algo me congele totalmente. All of a sudden, tudo aquilo que era tão nítido através desta janela de cristal fica desfocado. A não ser por uma única figura. Esta, simples e nítida, passeia pelo meu campo de visão. De vez em quando some e reaparece do nada, sempre me causando uma surpresa difícil para minha respiração acompanhar.
É então que esta figura, este bloco sólido no meio de toda a imensidão etérea, dirige-se vers la porte. Tout de suite, me ponho perto do único portal de passagem possível. Eu poderia atravessá-lo a qualquer momento, mas o mais primitivo dos sentimentos me impede. Então me ponho a esperar, encostado ao lado desta porta sem sentido, mas que faz mais sentido que todo o resto que me rodeia.
A espera é inebriante. Enquanto encostado no mesmo plano que a porta, é inevitável fitar o exato oposto do meu mundo-corredor. O outro lado me diz, em sussurro, que estou me enchendo de uma esperança tola, que engano minhas percepções. Eu quero, sim, sair deste meio termo de indefinições, mas, somehow a porta cuja parede me encosto agora é simplesmente mais doce. Esta porta que, tenho uma racional certeza, não vai me trazer nada nem ninguém, mas a qual, ainda assim, me sinto irracionalmente completo de estar encostado. Só me resta a dúvida: será esperar à porta melhor que cruzá-la...
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